A Verdade Através de Charles Bukowski

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Meu primeiro contato com Bukowski aconteceu durante os tempos de universidade, na época a maioria dos alunos do curso de Comunicação Social parecia ser fascinada pelos livros do velho. Naquele momento não tive vontade de ler nada do autor, a meu ver a narrativa não seria atrativa para mim, eu estava tão imersa em livros que me apresentavam universos fantásticos que pensei que qualquer livro que não seguisse essa linha não me proveria grandes momentos. Como eu estava enganada.

Demorei até decidir dar uma chance a Charles, mas eventualmente aconteceu. Misto-Quente me chamou a atenção e quis saber o porquê de tantas pessoas serem fascinadas pelos livros de Bukowski. Lembro que eu havia lido apenas algumas páginas quando me dei conta que deveria ter acreditado em meus amigos quando diziam que eu adoraria ler o que Bukowski havia escrito.

Misto-Quente entrou para a lista de meus livros preferidos, e sempre que posso sugiro a leitura para qualquer pessoa que esteja procurando algo interessante. A narrativa nos apresenta Henry Chinaski, um garoto que não parece ser especial em nenhum sentido. Chinaski tem um pai alcoólatra, uma mãe que beira a histeria, tem poucos amigos e sua escola parece ser um inferno particular. Mas o que me fez amar Henry é a maneira com que ele percebe sua situação e lida com todos os problemas. Chinaski não é vítima, não sente pena de si mesmo e faz as coisas acontecerem por si, já que ninguém facilita sua existência.

A linguagem de Bukowski é direta, o autor é brutal, os choques de realidade e as verdades descritas nos livros de Charles parecem socos no meu estômago. O velho safado é irônico e sarcástico, descreve o mundo como ele é, sem pitadas de açúcar, não existe embelezamento do mundo e de suas verdades. Acredito que aí está a magia de Bukowski, prender os leitores em narrativas verdadeiras, as quais são relacionáveis com o que acontece com cada um.

A grande lição que aprendi com Henry Chinaski de Misto-Quente é que a vida é cheia de percalços, tristezas e acontecimentos desagradáveis, mas cabe a você utilizar o que acontece a seu favor. Fazer-se de vítima não é a solução, apenas faz de você alguém frágil. O mundo não é para os fracos de coração, a realidade exige bravura. Chinaski e Bukowski me inspiraram a ser mais forte, por conta disso o velho safado tem um lugar especial não só em minha estante, mas em minha vida.

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A Estante

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A estante já está avisando que atingiu sua capacidade máxima, alguns livros estão amontoando-se em cima de outros e o espaço que uma vez era organizado por temática e escritores já se torna uma bagunça.

Essa é a segunda estante completa, a terceira está para ser montada, e pouco a pouco a biblioteca da casa vai ficando mais bonita. Há um senso de plenitude nisso tudo, desde criança tinha o desejo de ter um lugar repleto de livros em casa, um local onde pudesse me esconder do mundo e mergulhar em fantasias e imaginação. Acho que tudo começou quando assisti a animação da Disney A Bela e A Fera, lembro que ao invés de ficar animada com a história e os personagens fiquei interessada mesmo na biblioteca da Fera. Pensei que o personagem não poderia ser tão infeliz com tantos livros a disposição, e acho que continuo pensando assim. Penso que aquele desenho foi que despertou a vontade de ter minha própria biblioteca.

Ao olhar para a estante vejo nomes dos autores que mais gosto, Neil Gaiman, Tolkien, Bukowski. Mas parece que algo está faltando em meio a tantos livros maravilhosos. E está mesmo, está faltando o meu livro. Desde muito nova tive o hábito de ler bastante, lia para me divertir, lia quando estava triste, lia por estar entediada, enfim, qualquer motivo era uma boa desculpa para pegar um livro nas mãos e fechar a porta do quarto. O hábito da leitura nunca me abandonou, e ao chegar aos anos da adolescência comecei a escrever, como em momentos de catarse.

Depois de algum tempo pensei que seria uma boa ideia escrever um livro, mas a vida estava acontecendo muito rápido, resolvi deixar para escrever quando entrasse na universidade. Durante os tempos de universidade achei melhor postergar a escrita do livro para depois da formatura. Quando peguei o diploma resolvi ir morar no Canadá e achei que não era a melhor hora de escrever, fiquei lá por três anos. Quando voltei ao Brasil, comecei um mestrado, obviamente achei melhor não escrever, já tinha a dissertação para produzir. E assim a história que eu tinha para contar em meu livro foi ficando apenas na memória, esperando um momento propício para emergir.

Terminei a dissertação, e decidi não mais criar desculpas, nunca haverá um momento ideal para correr atrás de meus sonhos, então resolvi criar meu próprio momento ideal, e este momento é agora. Vou escrever, vou contar essa história que há tanto tempo vaga em minha mente, e espero que um dia meu próprio nome possa estar ali na estante, junto com os nomes de tantas pessoas admiráveis.